Recordo – me que aos 16 anos de idade fechava os olhos e imaginava espectáculos em palco ao som da música que escutava em cassete (com auriculares). Eram cerca de duas da manhã. Fechava a luz para que os meus pais não soubessem que ainda estaria acordada.
A minha alma, o meu coração,sei lá, pediam desesperadamente aqueles momentos de visualização. De preenchimento total do meu interior. Como se necessitasse de ver todas as noites um "filme" feito por mim, apenas na minha imaginação, para conseguir dormir descansada. Como se entendesse que o meu destino estava traçado. Apesar de sentir que era um sonho apenas, e não a realidade. Ás vezes, ficava mesmo chateada comigo própria por querer estar constantemente no mundo da fantasia e da imaginação.
Escrever era também um "must" que inexplicavelmente me levava a passar horas e horas a gastar tinta e papel com uma espécie de filosofia sobre sentimentos, atitudes....ou meramente aquilo que observava nos outros. Gostava de escrever todos os dias. E tal como António Variações cantava, eu sentia sempre que só queria estar onde não estava e só queria ir onde não ia.
Esta inquietação era demasiadamente previsível. Só que não a entendia com aquela idade.
Agora pareço estar um pouco mais onde quero estar. Apesar de existir dentro de mim aquela sensação de que ainda percorri um caminho muito curto nos meandros da minha imaginação. Ainda acordo à noite e sonho acordada. Sonhos tão possíveis de realizar durante a noite, mas tão difíceis à luz do dia. Deveria ser o oposto mas não é.
Criar é inimigo do consumismo.
Tudo isto para retratar a By The Music.
Um reflexo da extrema vontade de realizar sonhos, fantasias e preencher a Alma dos mais sensíveis. Daqueles que procuram partilhar o seu interior artístico com quem tenta trazê-lo para o exterior.
Porque lemos? Para sabermos que não estamos sós. Porque criamos? Para mostramos que os outros não estão sós. Que é possível "materializar" sensações e emoções. É possível estarmos onde queremos estar e irmos onde queremos ir. Só acontece com a Arte.A única forma de trazer à realidade os sonhos acordados e acalmar inquietações.
A By The Music é um reflexo de querer chegar mais longe. De, mesmo assim, demonstrar que ainda há mais e melhor. Que há sempre mais para descobrir e para nos surpreender.
Porque a By The Music centra o seu papel na vontade interior genuína e honesta. Na transparência do gosto pela Arte. No encontro interior com os outros. A By The Music quer e luta por despertar sensações que sejam únicas mas também globais. Tenta criar um mundo decente no âmbito daquilo que é efectivamente real. Um mundo de riqueza interior. E principalmente tenta fazê-lo com o máximo de sabedoria e conhecimento que conseguir. Não inventando sabedoria, ou mascarando conhecimentos. A By The Music só faz aquilo que sabe fazer,e o que sabe fazer tem de ser sempre o melhor. Nem que recorra ás noites perdidas de Sonhos acordados.
Yolanda Soares
(Direcção Artística) |